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O Empreendedorismo e o Futuro dos Jovens
Página publicada em: 3/9/2008
Carlos Bezerra Jr.
Por que morrem nossos jovens? Óbvio que não são por crimes passionais, não são por conflitos entre gangues ou pelo vazio existencial que leva estudantes de países ricos a metralharem seus colegas de escola.
A principal causa mortis dos brasileiros com idade entre 15 e 24 anos é o homicídio. Nossos jovens estão morrendo à bala, literalmente. Estivéssemos no Afeganistão ou em qualquer outro país em guerra, o dado seria irrelevante. Mas moramos em um paraíso tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.

Por que morrem nossos jovens? Óbvio que não são por crimes passionais, não são por conflitos entre gangues ou pelo vazio existencial que leva estudantes de países ricos a metralharem seus colegas de escola. Nossos jovens morrem na guerra urbana do tráfico de drogas, nas chacinas, nas disputas por "pontos".

O fato é que eles acabam na mão do crime organizado, grupo este comandado por eles mesmos. Sim, as facções criminosas que desafiam o Estado são comandadas por jovens. O sistema capilar de distribuição de cocaína no Rio é pensado e administrado por jovens. São eles também os que se escondem por trás das redes de roubo a veículos nas capitais e em tantas outras práticas criminosas.

Falamos nos jovens criminosos como aberrações, como se fossem uma outra cepa de brasileiros, apodrecida, sem concerto. Ninguém lamenta os mortos da chacina, nem o traficante baleado pela polícia. Não há quem pense no futuro que se encerra ali, naquele jovem morto, naquele brasileiro que constituía um projeto de cidadão, abortado tão precocemente.

Quando vejo os números assustadores de morte e criminalidade nas grandes cidades, não consigo deixar de pensar no quanto a capacidade empreendedora da nossa juventude é tão imensa quanto desperdiçada, imagino como o Brasil seria diferente se ao invés de uma submetralhadora na mão, esse jovem, atraído pelo tráfico, tivesse melhores oportunidades no mercado de trabalho ou um diploma, ou apenas uma chance de mostrar o quanto pode ser inteligente, capaz e empreendedor.

Vale dizer que o Relatório Executivo sobre Empreendedorismo no Brasil de 2006 , preparado pelo Projeto GEM BRASIL, concluiu que "os programas educacionais existentes no País não estimulam suficientemente a promoção de um espírito mais empreendedor nas pessoas" (ver Global Entrepreneurship Monitor 2006, página 8). Assim, qual o melhor caminho a seguir?

O que proponho é acreditarmos na força do movimento de empreendedorismo jovem e darmos o apoio necessário para que tais iniciativas se multipliquem por todo o País.
A Associação Comercial de São Paulo, centenária entidade voltada para a defesa da livre iniciativa, nos dá o exemplo: há quase 25 anos foi a pioneira na criação do primeiro desses grupos no País.

Nessa linha, a lei que propus na Câmara em 2006 (nº. 14.251), que cria a Semana do Jovem Empreendedor em São Paulo , é fruto de discussões e debates que tive com os membros do Fórum de Jovens Empreendedores da Associação Comercial de São Paulo (FJE-ACSP) há exatamente dois anos, por ocasião do 10º Fórum Mundial de Jovens Empreendedores, patrocinado pela Associação Comercial de São Paulo e sob a presidência de honra do atual Secretário do Emprego e Relações do Trabalho, Sr. Guilherme Afif Domingos.

A lei da Semana do Jovem Empreendedor em São Paulo tem sido levada pela Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje) a diversas capitais do Brasil. E espero que a realização de semanas paralelas, em vários locais do Brasil, venha a ser o embrião de um projeto nacional de discussão da importância do empreendedorismo no resgate dos jovens brasileiros.

Com isso tudo, tenho a esperança de que a mesma juventude que hoje se afunda em violência nas nossas metrópoles, com a capacidade e audácia do empreendedorismo, faça do Brasil um país de paz e prosperidade, um lugar onde a maioria dos jovens simplesmente envelhece, lutando por seu lugar ao sol, de modo digno e seguro.

* Carlos Bezerra Jr. é médico e vereador de São Paulo pelo PSDB. É o autor da Lei 14.251, que institui a Semana do Jovem Empreendedor de São Paulo

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