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Nenhum comentário » segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Usina 21 reúne multidão de jovens para discutir protestos no Brasil

Nenhum comentário » quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Maior evento de juventude cristã do país, destacou a participação dos jovens nos principais acontecimentos da sociedade

Assim como as manifestações populares no Brasil levaram multidões as ruas do país, a 9ª edição do Usina 21 também levou milhares de pessoas à Universidade Presbiteriana Mackenzie, no último sábado. Sob o tema, “A voz de Deus e a voz das Ruas”, o principal encontro de juventude cristã e engajamento do país, realizou a maior edição de sua história e debateu as recentes manifestações no Brasil fazendo com que o espaço da universidade ficasse pequeno, com quase 3.000 participantes.

“Foi incrível. Fomos surpreendidos com a explosão de público que houve nessa edição”, explicou o idealizador do evento, deputado estadual e pastor, Carlos Bezerra Jr. “Sair às ruas e protestar é muito mais fácil do que se organizar e trabalhar pelas mudanças que desejamos. Nós entendemos essas mudanças a partir da ótica dos valores do reino de Deus. O Usina discute temas que não são discutidos na igreja, para que os jovens saiam daqui inspirados para trabalharem pela transformação da realidade em suas comunidades e igrejas locais”, complementou Bezerra Jr.

O preletor principal do evento foi o pastor sul-coreano, Eugene Cho, idealizador de movimento de combate à pobreza mundial e criador da ONG One Day’s Wages, que estimula jovens a doarem o salário de um dia de trabalho no ano para causas humanitárias. “Todos nós temos sonhos. Mas a força para realizá-los ou não, está no que cremos. Assim como a One Day´s, o Usina 21 nasceu de uma visão, e hoje muda a trajetória de vida de muitos jovens”, explica Eugene.Usina 21

Além do parlamentar e do ativista, o evento contou com mais de 30 palestrantes e 40 oficinas nas áreas de ativismo social, história, espiritualidade e sustentabilidade. Para Anna Penido, ex-coordenadora da Unicef-Brasil, uma das preletoras do evento, o Usina é um espaço que contribui para que o jovem possa aprender a exercer cidadania. “É fundamental ter trazido essa insatisfação que foi mostrada nas ruas às claras, para que possamos ajudar esses jovens a entenderem como eles podem transformar a realidade”, explicou.

“O Usina é um espaço para que se discutam pensamentos, e se criem formas para que eles saiam daqui e alcancem a sociedade. Manifestações são legítimas, mas precisam de pauta. Penso que a igreja não tem sido tão atuante quanto deveria nas manifestações, por isso, este espaço é fundamental“, comentou Ed René Kivitz durante painel de debate sobre as manifestações.

“Este evento marca um novo momento do cristianismo no Brasil, pois leva milhares de jovens de diferentes denominações à formação de uma profunda consciência e justiça social, mediante encontros marcados por criatividade, excelência, dinamismo e forte conteúdo cristão”, afirmou Antônio Carlos Costa.

O encontro também foi marcado por muita música, com a abertura da banda Palavrantiga, e shows de Daniela Araújo e Coral Resgate. “É um prazer imenso estar aqui e saber que existem jovens que se reúnem para debater o futuro de nosso país”, diz Daniela Araújo durante sua apresentação. “Cantar em um evento com essa temática é, no mínimo, maravilhoso”, contou Marcos Almeida, vocalista do Palavrantiga.

A lotação não foi impedimento para a diversão dos jovens. A estudante Pâmela Amaral, 20, comandou caravana que veio de Atibaia com mais de 40 pessoas. ”Foi fantástico. O evento me fez pensar em como posso servir melhor ao meu próximo”, explicou. O arquiteto Carlos Henrique, 29, chegou às 6 horas da manhã na fila. ”Faria tudo de novo. Se pudesse, chegaria até mais cedo, porque sei que no próximo Usina muito mais gente vai participar. Quero garantir minha vaga”, contou.

IMG_1219_lotadoPara aqueles que participaram e para aqueles participarão das próximas edições, Bezerra Jr. deixa um recado: “Não estamos aqui com as respostas prontas, mas com as perguntas certas. O desafio é que a gente, reflita, dialogue, debata, mas que saia daqui inspirado para transformar esse mundo com um cristianismo diferente do cristianismo da prosperidade, do ‘dinheirismo’, do consumismo e da ostentação. Estamos aqui pra provar que existe um jeito de ser cristão sem ser preconceituoso, sem ser racista, sem ser alienado, sem dar os ombros para as coisas pelas quais toda a sociedade está clamando”, finalizou Bezerra Jr.

Amanhã, a gente espera você no Usina 21! E…

Nenhum comentário » quinta-feira, 7 de novembro de 2013

…toma a liberdade de dar um conselho: CHEGUE CEDO!

Pra evitar dor de cabeça, pra pegar um lugar melhor, pra não ficar na fila, pra curtir a galera, pra não perder nenhuma atração… Enfim, os motivos são muitos, mas a ideia uma só – não aparecer por lá em cima da hora.

Um excelente Usina 21 a todos!

Já escolheu sua oficina?

Nenhum comentário » terça-feira, 22 de outubro de 2013


Já sabe qual oficina você vai participar? Ainda não? Dê uma olhada na lista completa!

Usina 21 promove Help Portrait e retrata moradores da periferia paulistana; fotos vão virar exposição no MIS

Nenhum comentário » terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mais de 100 voluntários mobilizaram-se para que quase 70 famílias fossem clicadas por profissionais pela primeira vez na vida. No final, a foto, com porta-retrato, virou presente

No sábado, 10, Dia Internacional dos Direitos Humanos mais de 30 fotógrafos reuniram-se para passar um dia registrando as imagens de quem nunca teve esteve diante de lentes profissionais. A ação aconteceu numa região pobre da cidade, no bairro de Vila Verde, extremo leste da capital paulista e foi promovida pelo movimento Usina 21 – Jovens, Ideias e Transformação Social.

“O que estamos demonstrando a essas pessoas ao fotografá-las é que nos importamos com elas, que queremos saber suas necessidades. A foto é apenas um símbolo de que, para nós, elas não são invisíveis. Pelo contrário, nós as enxergamos e estamos comprometidos com a luta por seus direitos”, afirmou Carlos Bezerra Jr., deputado estadual evangélico que participou da coordenação do evento, junto com a ONG Fundação Comunidade da Graça, entidade social de cunho cristão.

A ação mobilizou 130 voluntários, entre fotógrafos, cinegrafistas, maquiadores, contadores de história e recreacionistas. Sete estúdios fotográficos foram montados e uma equipe ficou responsável pela impressão das fotos que, ao final do dia, foram entregues a cada uma das famílias participantes, junto com porta-retrato.

“Foi muito legal. Eu escolhi como seria a minha maquiagem e o fotógrafo foi muito atencioso. Tirei várias fotos com roupas diferentes. No final, ele escolheu uma foto minha, mas eu não gostei muito, daí ele mudou”, conta satisfeita Evelyn Souza, 22 anos, com o porta-retrato nas mãos.

O sucesso da iniciativa foi tanto que, por meio da Secretaria Estadual da Cultura, organizou-se exposição no Museu da Imagem e do Som (MIS) para apresentar as imagens. A mostra está marcada para o dia 25 de janeiro do ano que vem, data do aniversário de São Paulo, e vai até 18 de fevereiro.

“Nossa fé deve sempre nos levar à ação em defesa daqueles que mais precisam, dos excluídos, dos mais frágeis. Nosso coração deve ser movido pelas causas que movem o coração de Deus, e nossos olhos, precisam estar atentos àquilo que Ele enxerga. É por esse amor que estamos aqui hoje”, falou Patrícia Bezerra, psicóloga e diretora geral da Fundação Comunidade da Graça, esposa de Carlos Bezerra Jr., durante o evento. Segundo Reinaldo Junior, um dos organizadores, a ação será ampliada para o próximo ano.

Help Portrait
É movimento mundial de fotógrafos amadores e profissionais que têm em comum a vontade de doar seu tempo e talento a alguém em necessidade. Foi criado em 2009, por Jeremy Cowart, fotógrafo de celebridades norte-americano. O Help Portrait já reuniu mais de 10 mil fotógrafos e 12 mil voluntários, em mais de 1 mil localidades espalhadas por 46 países. O número de retratos entregues pela iniciativa já passa de 100 mil.

Usina 21 retrata ‘invisíveis’ em ação que reúne fotógrafos de todo o mundo

5 Comentários » sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Movimento de juventude engaja-se à iniciativa global Help Portrait e promove ação na periferia da zona Leste para clicar quem nunca esteve no foco de lentes profissionais

Nem artistas, nem modelos. Nada de jogadores de futebol ou políticos. As celebridades estão longe de estar no centro do foco nas fotos da nova ação do movimento Usina 21 – Jovens, Ideias e Transformação Social. A lógica da ideia vai na contramão das regras dos paparazzi: cerca de 40 fotógrafos profissionais vão dar um tempo na correria atrás de colunáveis e afins, e passarão um dia registrando mais de 300 moradores da periferia da Zona Leste de São Paulo que nunca foram clicados por profissionais. Os retratos serão impressos e entregues como um presente aos fotografados.

A ação está marcada para 10/12, Dia Mundial dos Direitos Humanos, em uma creche no bairro em Itaquera. Na mesma data, fotógrafos ao redor do mundo estarão mobilizados pela mesma causa, engajados na iniciativa global que inspirou a ação, chamada Help Portrait, que registra a imagem daqueles que são ‘invisíveis’ para a maioria das lentes.

Junto com os fotógrafos, a ação mobilizará também maquiadores, iluminadores, cinegrafistas, jornalistas, recreacionistas e contadores de história. Além dos cuidados com a aparência dos participantes, toda a ação será registrada e transformada em vídeo. A iniciativa envolverá, ao todo, cerca de 100 profissionais. Todos voluntários. Qualquer pessoa que goste de fotografia pode participar – não é preciso ser profissional, nem ter uma câmera sofisticada A única regra é que as fotos produzidas pelos participantes não devem ser vendidas ou usadas em portfólio.

“Não se trata de oferecer apenas uma imagem, o que queremos transmitir é esperança. A exclusão simbolizada pela carência de fotografias é, na verdade, indicadora de uma exclusão maior, que, muitas vezes, alija essas pessoas de seus direitos básicos. Essa é, sem dúvida, uma ação de promoção social”, afirma Patrícia Bezerra que coordena o evento. “Nossa fé tem tudo a ver com enxergar o próximo. E ela deve nos levar à ação prática, contra qualquer injustiça”, completa a psicóloga cristã que há 10 anos dirige ONG de assistência a famílias de baixa renda.

Patrícia é esposa do deputado estadual CarlosBezerra Jr., idealizador do Usina 21. O parlamentar também participara da ação e graças à articulação sua, parte das imagens produzidas será apresentada em exposição no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo.

Help Portrait

É um movimento mundial de fotógrafos amadores e profissionais que têm em comum a vontade de doar seu tempo e talento a alguém em necessidade. Foi criado em 2009, por Jeremy Cowart, fotógrafo de celebridades norte-americano. O Help Portrait já reuniu mais de 10 mil fotógrafos e 12 mil voluntários, em mais de 1 mil localidades espalhadas por 46 países. O número de retratos entregues pela iniciativa já passa de 100 mil.

Rede FALE São Paulo lança campanha contra trabalho escravo

Nenhum comentário » quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um dos graves problemas que ainda precisa ser superado é o trabalho escravo. Nas áreas rurais, muitos vivem em situação de penúria, como indica relatório da Organização Mundial de Trabalho. Nas áreas urbanas, os principais casos de escravidão ocorrem na região metropolitana de São Paulo, onde muitos imigrantes são latino-americanos, que trabalham dezenas de horas diárias, sem folga e com baixíssimos salários. Apesar das recentes denúncias, a impunidade é grande e dos principais obstáculos na luta contra essas formas modernas de escravidão.

Preocupada com essa situação e com o apoio do USINA 21 – Jovens, Ideias e Transformação Social, a Rede FALE em São Paulo está promovendo um abaixo-assinado online” Fale contra o trabalho escravo em São Paulo”. Leia na íntegra, o abaixo-assinado:

FALE CONTRA O TRABALHO ESCRAVO EM SÃO PAULO

Exmo. Sr. Deputado Barros Munhoz, Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo,

Considerando o Artigo IV da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que define que “ninguém pode ser mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos são proibidos em todas as suas formas”;

Considerando, igualmente, as garantias aos trabalhadores urbanos e rurais previstas no art. 7o. da Constituição Federal, dentre as quais: salário mínimo; piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho; garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável; proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa; duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais; entre outras;

Considerando, ainda, denúncias que relatam casos de imigrantes que são submetidos a dezenas de horas diárias, sem folga e com baixíssimos salários, principalmente na região metropolitana de São Paulo;

Considerando, também, que tais denúncias retratam claramente uma violação dos Direitos Humanos e do texto constitucional;

Nós, como sociedade civil organizada e com a articulação integrada da Rede Fale em São Paulo e apoio do Usina 21 e de outras entidades e movimentos, por meio deste abaixo-assinado, reivindicamos: Instauração imediata da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar crimes de trabalho escravo nas áreas urbanas ou rurais de SP, conforme o Requerimento Nº 1479, de 2011, protocolado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 23/08/2011, publicado no Diário Oficial de 24/08/2011.

O trabalho escravo, que é afronta ao ser humano, é também uma afronta ao Criador, pois cremos que quando um homem ou mulher é aviltado em sua dignidade, é o próprio Deus que é desonrado. Lembramos que o trabalho dos senhores é “… defender os indefesos, para assegurar que os prejudicados tenham uma oportunidade de justiça. O trabalho de vocês é proteger os fracos, perseguir os que os exploram” (Salmos 82.3-4).

Para manifestar seu apoio, deixe sua assinatura clicando aqui

Para divulgar no Facebook, clique aqui

Fonte: http://redefale.blogspot.com/

 

Os Jovens querem ser Políticos!

1 comentário » terça-feira, 11 de outubro de 2011

Revista Época, 09/10/2011

Uma pesquisa exclusiva mostra que 56% dos jovens brasileiros não acreditam nos políticos. Mas 41% aceitariam se candidatar. O que eles pensam e quais são suas causas?

LETÍCIA SORG E ANGELA PINHO

O filósofo e orador romano Cícero dizia que a idade aperfeiçoa “a paciência, a autoridade e a ponderação”, qualidades necessárias para administrar os assuntos graves. Seu pensamento reflete a visão predominante em seu tempo. Na Roma Antiga, as decisões mais importantes eram tomadas pelo Conselho dos Anciãos, formado pelos mais velhos. Surgia então o Senado que conhecemos até hoje, cujo nome vem do latim senex, que significa idoso. A média de idade dos senadores brasileiros, 58 anos, mostra que a política permanece, em grande parte, uma atividade para os mais velhos. Mas a ausência de jovens nas esferas mais altas do poder público do país não significa que eles estejam alienados da política. Uma pesquisa exclusiva feita por ÉPOCA em parceria com a Retrato Pesquisa de Opinião e Mercado traz uma surpresa positiva sobre a relação da nova geração com o poder. Feita em dez capitais brasileiras (Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), ela ouviu 990 adolescentes entre 16 e 18 anos de escolas públicas e privadas. Os dados revelam que os adolescentes não estão nos partidos, mas fazem política em seu dia a dia. Metade deles já aderiu a uma causa pela internet. Estão descontentes com as formas tradicionais de representação, mas acreditam que é possível mudar a realidade se cada um fizer sua parte. Dois em cada cinco topariam seguir uma carreira política, se surgisse a oportunidade.

“Os resultados quebram o mito de que os adolescentes não gostam de política”, diz a socióloga Miriam Abramovay, autora de vários livros sobre política e juventude. Eles apenas a veem de uma maneira menos formal e mais pragmática. “A geração atual está menos ligada aos meios e às formas e mais ligada aos fins e aos propósitos”, diz Germano Guimarães, fundador do Instituto Tellus, uma organização sem fins lucrativos que pretende aproximar o governo da sociedade. “É um pessoal muito mão na massa.” Parte dessa turma está engajada, como organizador ou apoiador, nos protestos que vêm sendo organizados pela internet. Eles surgiram espontaneamente no feriado de 7 de setembro, como forma de manifestar a insatisfação popular com a impunidade diante da sequência de casos de corrupção no governo e no Congresso. Agora, essa juventude mostrará seu rosto nas manifestações públicas, agendadas para o dia 12 de outubro em várias capitais do país.

A estudante Inaê Iabel Barbosa, de 16 anos, de Porto Alegre, é um exemplo dessa nova postura juvenil. Por causa de sua liderança na escola, ela já se acostumou a ouvir sugestões da família para se candidatar a vereadora. Mas não está esperando ter um cargo para mudar a realidade a sua volta. Vice-presidente do grêmio do Colégio Marista, a adolescente já pode comemorar uma vitória política: conseguiu baixar os preços na cantina da escola. “O que fazemos em nosso cotidiano não deixa de ser política”, diz. Para 92% dos adolescentes, política é discutir assuntos que mexem com a vida de cada um e da comunidade. “A relação com partidos políticos não é indicador de interesse pela política ou até mesmo de engajamento para esta geração”, diz o economista Sérgio Braga, diretor da Retrato.

Segundo a pesquisa ÉPOCA/Retrato, a maioria dos jovens – 52% – não tem um partido de sua preferência e 56% dizem que a descrença é o principal sentimento em relação aos políticos. A má imagem dos partidos torna difícil atrair os jovens. Apenas 1% disse ser filiado a algum. “Toda vez que a gente vai conversar com um jovem e fala que está em um partido, ele já pensa em corrupção”, diz Paulo Mathias, presidente da juventude do PSDB em São Paulo. Para Aldo Fornazieri, diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política, existe uma crise de representação. “Os partidos são muito fechados e dominados por oligarquias.” É por isso que o técnico em refrigeração Edinaldo de Oliveira, de 19 anos, de Guajará-Mirim, Rondônia, tem dificuldade de fazer as pessoas acreditarem que ele um dia ainda vai ocupar um cargo eletivo. “Todo mundo tem a impressão de que nunca vai dar certo, porque não tem ninguém da família na política”, diz. Mas ele não desiste e usa o pragmatismo para vencer as barreiras. Indagado sobre o que fará na prática para conseguir ser um político, responde: “Vou ter de fazer coligação, né?”. Desde que, faz questão de destacar, o compromisso esteja dentro da ética.

Os poucos que se filiam em geral enfrentam dificuldades para ser ouvidos. “Muitos partidos acham que os jovens só servem para segurar bandeira e colar adesivo”, diz Ângela Santos Guimarães, secretária adjunta da Secretaria Nacional de Juventude, órgão criado em 2005 para ampliar a representação política dessa faixa da população. Para aumentar a participação dos mais jovens em todas as esferas, o PT decidiu em seu último congresso, em setembro, reservar para eles 20% dos postos de direção. A formação da juventude é uma das causas do partido há décadas e, em alguns lugares do país, até 40% dos candidatos têm até 30 anos. “Escolhi o PT porque era onde a juventude tinha mais espaço na pauta”, diz o estudante de administração Demétrio César Xavier, de 19 anos, de Guarulhos, município da Grande São Paulo. Ele se filiou ao partido há três anos. Diz que pesquisou a agenda de outros 15 antes de decidir. Assim como Demétrio, muitos outros jovens poderiam ter uma relação mais próxima com os partidos, que desperdiçam um grande potencial de simpatizantes. Embora não se identifiquem com nenhuma legenda, 41% dos jovens entrevistados não descartam seguir carreira política. “Isso é um puxão de orelha nos partidos políticos, que estão perdendo uma grande oportunidade de atrair esse público”, diz o cientista político Fernando Abrucio, colunista de ÉPOCA. Para ele, os líderes políticos têm de fazer mais que entrar no Twitter para atrair os mais novos. Precisam abrir um espaço real dentro dos partidos para acolhê-los.

Os resultados da pesquisa revelam que os jovens de hoje estão mais abertos para esse diálogo do que os partidos imaginam. Eles são menos radicais em suas crenças. A maioria reconhece que nem todo político é ladrão e acredita que pessoas honestas podem, sim, entrar para a política. Também reconhecem que o poder é capaz de corromper, mas não consideram a tentação inescapável. Quando Kamila Schass, de 16 anos, de Blumenau, em Santa Catarina, foi presidente da Câmara de Vereadores Mirins, em 2008, descobriu que a política pode ser boa. “A gente só vê coisa ruim na televisão, mas, quando chega perto, percebe que é diferente”, afirma. Para Renato Janine Ribeiro, professor de filosofia política da Universidade de São Paulo (USP), o pragmatismo com que o jovem atual vê a política tem um caráter positivo. “Ele ajuda os jovens a ver as coisas como realmente são”, diz. E, ao conseguir enxergar a sociedade de forma mais realista, eles têm mais clareza de como podem agir para mudá-la. Um indício da visão prática desses jovens são seus ídolos. A maioria diz que admira lideranças contemporâneas, como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula, a presidente Dilma e a ex-candidata Marina Silva. Muitos destacam familiares e amigos. Citam esses nomes ao lado dos ícones clássicos, como Dalai-Lama e Che Guevara. “O jovem não espera mais um mártir que virá para salvar a todos”, diz o sociólogo Gabriel Milanez, da empresa de pesquisa Box 1824. “Os heróis estão no cotidiano.”

Além de visão pragmática da política, os jovens também se mostram inclinados a agir dessa forma. Eles julgam nas atitudes individuais. De acordo com a pesquisa ÉPOCA/Retrato, 46% dos adolescentes julgam que a melhor forma de transformar a sociedade é cada um fazendo sua parte. Em segundo lugar, com 24%, vem votar de maneira consciente; em terceiro, com 16%, organizar grupos em torno de causas; e, em quarto, com 9%, fazer protestos. A valorização da postura pessoal reflete-se na forma de engajamento dos jovens de hoje. Enquanto 24% dizem já ter participado de alguma manifestação, 39% afirmam já ter feito algum tipo de trabalho voluntário. O resultado concreto desse voluntariado é um incentivo para os adolescentes. Quando percebem que suas ações trazem resultados positivos, eles têm ainda mais vontade de agir. Isso os leva gradativamente a buscar entidades com maior alcance. A jovem Ana Carolina Moraes, de 18 anos, de Campinas, interior de São Paulo, acredita no poder transformador da cultura e, por isso, decidiu juntar-se ao Coletivo Ajuntaê. Trata-se de um movimento ligado ao Circuito Fora do Eixo, que incentiva atividades culturais com viés político em vários lugares do país. Por meio de shows, debates e outros eventos, ela pretende difundir a cultura política. “A política é a gente que faz, onde quer que esteja”, diz Ana Carolina. Esse engajamento é saudado por Janine Ribeiro, da USP. Segundo ele, essa geração acredita que mesmo uma ação localizada e individual pode fazer alguma diferença diante de grandes problemas que a aflige, como a desigualdade, a má educação ou a destruição ambiental. “As outras gerações se perguntavam ‘de que adianta’ diante do desafio. Agora, valorizam mais a ação”, afirma.

Dar mais valor à iniciativa individual também traz seus riscos. “A ação individual é importante como postura ética”, diz Aldo Fornazieri. “Mas, para fazer mudanças políticas e econômicas, é necessário haver organizações políticas que deem consequência e continuidade ao movimento.” Sem isso, essas iniciativas correm o risco de ser tão efêmeras quanto um modismo na internet. As ferramentas como o Twitter e o Facebook podem ser o início da atividade política, pois ajudam a mobilizar pessoas em torno de uma causa. Mas, por si, são incapazes de promover mudanças políticas. A experiência do mineiro Marcel Beghini, de 19 anos, mostra isso. Como estudante de jornalismo, ele comentava as principais notícias do dia no Twitter. Acabou chamando a atenção do PSDB. Gabriel Azevedo, secretário de comunicação da Juventude Tucana, convidou Marcel a juntar-se à Turma do Chapéu, um grupo jovem do partido. Hoje, Beghini trabalha no partido para levar aos outros estudantes, pessoalmente ou por internet, e de forma mais palatável, a política. Na campanha do então candidato Antonio Anastasia para o governo mineiro, o grupo de Beghini fez e postou vídeos bem-humorados no YouTube.

O caminho para agradar ao paladar juvenil é trazer as grandes causas do país para os assuntos que interessam aos jovens diretamente. O tema que mais os mobiliza, segundo a pesquisa ÉPOCA/Retrato, é a educação. Para os jovens, melhorar a qualidade do ensino deve ser a prioridade do Brasil. Essa é a bandeira dos universitários Patrícia Matos e Tiago Martins, ambos de 18 anos. Como presidente do grêmio no colégio público Elefante Branco, Patrícia convocou protestos para melhorar as condições de ensino. Ela e seus colegas reivindicavam que o passe de estudante para os ônibus valesse para todos os alunos, e não só para algumas faixas de renda. Também queriam participar da gestão da escola, criando comitês para decidir assuntos cotidianos ou votar o orçamento. O passe democrático eles conseguiram. A ideia dos comitês virou um projeto de lei, encampado por uma deputada do DF e ainda não votado. A partir dessa experiência, Patrícia percebeu que, para conseguir maiores ganhos, precisava partir para o movimento estudantil em âmbito nacional, e entrou para a ala jovem do PCdoB. Martins, quando estudava no ensino médio, conseguiu que sua escola aplicasse simulados para o Enem. Isso melhorou a preparação dele e de seus colegas para o exame. Foi bom para ele. Com boa nota no Enem, conseguiu uma vaga disputada na Universidade Federal Fluminense. E um ganho para todos os seus colegas. “Essa preocupação com a educação tem de ser comemorada, porque tem potencial de melhorar o Brasil”, afirma Abrucio. Se conseguirem melhorias consistentes nesse setor, os jovens atuais têm tudo para deixar para a próxima geração um legado mais otimista do que receberam.

As boas intenções expressas por esses jovens não significam, necessariamente, que vem por aí uma turma mais íntegra que a geração atual que povoa os gabinetes do Executivo e as cadeiras legislativas em todas as instâncias do país. A experiência mostra como pessoas com belos discursos na juventude ou no início da carreira política lidaram com as tentações do poder. José Dirceu, o líder estudantil dos anos 1960 que mobilizava os jovens contra a ditadura, tornou-se, nos anos 2000, o ministro afastado sob acusações de ser o mentor do mensalão, esquema de compra de votos no Congresso. Lindenberg Farias, o cara-pintada que virou símbolo dos protestos que levaram ao impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, no início dos anos 1990, tornou-se um prefeito fiscalizado por irregularidades e seus bens chegaram a ser bloqueados pela Justiça. “Essa geração tem ideário e informação para entrar na política de forma diferente”, diz Abrucio. “Mas é difícil prever se vão conseguir de fato mudar.” Eles têm o potencial, mas vão ter de vencer as barreiras das elites partidárias e manter-se imunes aos vícios do atual jogo político. No Brasil, a máquina política envolve mais de meio milhão de pessoas. São 64 mil em cargos eletivos, do presidente ao vereador. Mais 250 mil incluindo assessores e secretários. E 380 mil candidatos a prefeito e vereador. Só o futuro dirá se jovens como Ana Carolina Moraes, Demétrio César Xavier, Edinaldo de Oliveira, Inaê Iabel Barbosa, Kamila Schass, Marcel Beghini, Patricia Matos e Tiago Martins mudarão as regras desse amplo clube do poder – ou se renderão a elas.

Fonte: http://www.facebook.com/notes/luciana-soares/os-jovens-querem-ser-pol%C3%ADticos/247180662001286

Shane Claiborne fala no Usina 21 deste ano.

Nenhum comentário » sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Você que foi ao Usina 21, relembre, você que não assista e seja desafiado. E veja só um pedaço do que perdeu.

Usina 21 une criatividade e ousadia em edição que reforça apelo por cristianismo voltado para fora da igreja, marca registrada do evento

1 comentário » terça-feira, 27 de setembro de 2011

Encontro traz palestrante internacional pela primeira vez. Shane Claiborne, que militou com Madre Teresa,
fez preleção principal e deu o tom do evento: “Nossa fé precisa estar engajada às ‘Calcutás’ deste mundo”

“O Evangelho é a antítese da sociedade atual”, afirmou Shane Claiborne, em suas primeiras palavras na abertura do 7º Usina 21 – Jovens, Ideias e Transformação Social. Com a frase, o ativista deu início à sua preleção na manhã de sábado, 24, na Universidade Mackenzie. E o público do evento que começou com rock pesado logo cedo – com a banda Oficina G3, que fez pular os quase 3 mil jovens e adolescentes do auditório –, voltou-se à mensagem do militante que atuou ao lado de Madre Teresa de Calcutá e que está chamando atenção da mídia norte-americana. “Plural. E engajado. Assim defino esse encontro”, afirmou Carlos Bezerra Jr., deputado estadual cristão que idealizou o movimento.

Durante os cerca de 40 minutos da palestra de Shane, o que se viu foi um auditório imerso em uma pregação que foi na contramão do que alguns dos púlpitos mais populares do país têm defendido. “Esse evangelho da prosperidade fala do que se pode ‘tirar’ de Deus. Mas o cristianismo verdadeiro nos diz que, se quisermos encontrar nossas vidas, será preciso antes perdê-las”, pontificou o ativista, de dreadlock no cabelo, bandana e visual quase hippie. Continuou: “A fé não diz respeito apenas ao que acontece depois de morrer, ela precisa estar engajada à dor do mundo. Aquilo que começa com compaixão, deve se transformar em justiça, porque queremos interromper o sofrimento do outro”, concluiu.

As palavras de Shane contagiaram os participantes. “O que precisamos, agora, é sair daqui e fazer alguma coisa. Levar o que temos aprendido aos que não têm nada”, disse Fábio Cruz, 19, pela segunda vez no Usina.

Após a preleção, os usineiros, como se autodenominam os participantes do evento, foram direto para as 20 oficinas de temas variados organizadas para a parte da manhã. “Contribuição Cultural do Jovem para o Brasil”, com o teólogo Gedeon Alencar; “Redes sustentáveis”, com Débora Fahur, coordenadora da ONG Visão Mundial; “Produção musical”, com o músico Silvera; “Caso Zara e o trabalho escravo em SP”, com Carlos Bezerra Jr.; “Drogadição”, com João Boca, que atua junto aos usuários de crack em São Paulo, e “Não engula sapo”, sobre como elaborar as próprias emoções, com a psicóloga Patrícia Bezerra, foram alguns dos assuntos em discussão. “Este é meu terceiro Usina. Esse ano, decidi mudar. Sempre vou às palestras que tem a ver com minha profissão, mas dessa vez vou ouvir sobre fotografia”, resolveu Fernanda Cristiano, 22, estudante de Ciências da Computação.

À tarde, logo após apresentação de música regional nordestina com Roberto Diamanso e de exposição com produtos feitos com material reutilizável, outras 20 palestras aguardavam os jovens. Kaio Pesutti, ator do consagrado diretor de teatro Antunes Filho, Levi Araújo, coordenador do Fórum Cristão de Profissionais; Gerson Ortega, cantor e compositor, Sergio Pavarini, jornalista e blogueiro; Juliano Son, líder da banda Livres; Leonardo Sakamoto, repórter especializado na cobertura de casos de exploração de trabalhadores, entre outros, ficaram responsáveis por discutir sobre teatro, música, mobilização popular, comunicação, redes sociais etc.

“O Usina 21 é um evento de provocação. Mas não de provocação gratuita. Nosso objetivo é incentivar jovens de todos os lugares a fazer o que manda o texto bíblico de Provérbios: mobilizarem-se a favor dos mais frágeis e defenderem os direitos de todos os que estão desamparados. E isso não se faz só dentro da igreja”, ressaltou Bezerra Jr.

Propostas feitas pelos usineiros ao final de cada oficina foram reunidas para a Conferência Nacional de Juventude, que será realizada em dezembro. O documento representará os anseios da juventude evangélica paulista no fórum. Logo depois, no encerramento da edição, a banda Palavrantiga, de sonoridade grunge, embalou os usineiros. “Vai onde há a dor, e cura; vai onde não há amor, e ama; vai onde há a dor, e alegra; vai onde não há esperança”, cantaram.