Usina 21 une criatividade e ousadia em edição que reforça apelo por cristianismo voltado para fora da igreja, marca registrada do evento

1 comentário » terça-feira, 27 de setembro de 2011

Encontro traz palestrante internacional pela primeira vez. Shane Claiborne, que militou com Madre Teresa,
fez preleção principal e deu o tom do evento: “Nossa fé precisa estar engajada às ‘Calcutás’ deste mundo”

“O Evangelho é a antítese da sociedade atual”, afirmou Shane Claiborne, em suas primeiras palavras na abertura do 7º Usina 21 – Jovens, Ideias e Transformação Social. Com a frase, o ativista deu início à sua preleção na manhã de sábado, 24, na Universidade Mackenzie. E o público do evento que começou com rock pesado logo cedo – com a banda Oficina G3, que fez pular os quase 3 mil jovens e adolescentes do auditório –, voltou-se à mensagem do militante que atuou ao lado de Madre Teresa de Calcutá e que está chamando atenção da mídia norte-americana. “Plural. E engajado. Assim defino esse encontro”, afirmou Carlos Bezerra Jr., deputado estadual cristão que idealizou o movimento.

Durante os cerca de 40 minutos da palestra de Shane, o que se viu foi um auditório imerso em uma pregação que foi na contramão do que alguns dos púlpitos mais populares do país têm defendido. “Esse evangelho da prosperidade fala do que se pode ‘tirar’ de Deus. Mas o cristianismo verdadeiro nos diz que, se quisermos encontrar nossas vidas, será preciso antes perdê-las”, pontificou o ativista, de dreadlock no cabelo, bandana e visual quase hippie. Continuou: “A fé não diz respeito apenas ao que acontece depois de morrer, ela precisa estar engajada à dor do mundo. Aquilo que começa com compaixão, deve se transformar em justiça, porque queremos interromper o sofrimento do outro”, concluiu.

As palavras de Shane contagiaram os participantes. “O que precisamos, agora, é sair daqui e fazer alguma coisa. Levar o que temos aprendido aos que não têm nada”, disse Fábio Cruz, 19, pela segunda vez no Usina.

Após a preleção, os usineiros, como se autodenominam os participantes do evento, foram direto para as 20 oficinas de temas variados organizadas para a parte da manhã. “Contribuição Cultural do Jovem para o Brasil”, com o teólogo Gedeon Alencar; “Redes sustentáveis”, com Débora Fahur, coordenadora da ONG Visão Mundial; “Produção musical”, com o músico Silvera; “Caso Zara e o trabalho escravo em SP”, com Carlos Bezerra Jr.; “Drogadição”, com João Boca, que atua junto aos usuários de crack em São Paulo, e “Não engula sapo”, sobre como elaborar as próprias emoções, com a psicóloga Patrícia Bezerra, foram alguns dos assuntos em discussão. “Este é meu terceiro Usina. Esse ano, decidi mudar. Sempre vou às palestras que tem a ver com minha profissão, mas dessa vez vou ouvir sobre fotografia”, resolveu Fernanda Cristiano, 22, estudante de Ciências da Computação.

À tarde, logo após apresentação de música regional nordestina com Roberto Diamanso e de exposição com produtos feitos com material reutilizável, outras 20 palestras aguardavam os jovens. Kaio Pesutti, ator do consagrado diretor de teatro Antunes Filho, Levi Araújo, coordenador do Fórum Cristão de Profissionais; Gerson Ortega, cantor e compositor, Sergio Pavarini, jornalista e blogueiro; Juliano Son, líder da banda Livres; Leonardo Sakamoto, repórter especializado na cobertura de casos de exploração de trabalhadores, entre outros, ficaram responsáveis por discutir sobre teatro, música, mobilização popular, comunicação, redes sociais etc.

“O Usina 21 é um evento de provocação. Mas não de provocação gratuita. Nosso objetivo é incentivar jovens de todos os lugares a fazer o que manda o texto bíblico de Provérbios: mobilizarem-se a favor dos mais frágeis e defenderem os direitos de todos os que estão desamparados. E isso não se faz só dentro da igreja”, ressaltou Bezerra Jr.

Propostas feitas pelos usineiros ao final de cada oficina foram reunidas para a Conferência Nacional de Juventude, que será realizada em dezembro. O documento representará os anseios da juventude evangélica paulista no fórum. Logo depois, no encerramento da edição, a banda Palavrantiga, de sonoridade grunge, embalou os usineiros. “Vai onde há a dor, e cura; vai onde não há amor, e ama; vai onde há a dor, e alegra; vai onde não há esperança”, cantaram.

Um comentário para “Usina 21 une criatividade e ousadia em edição que reforça apelo por cristianismo voltado para fora da igreja, marca registrada do evento”

  1. aurea de lima silva disse:

    Parabéns pela iniciativa, e que Deus possa prover todas as necessidades que surgiram da idéias, e propostas
    apresentadas, o mundo, precisa caminhar mais no Amor de Deus hoje e sempre. Louvado seja Deus, e que
    estes jovens tenham continuidades destes ideais, sejam transformados em realidade, precisamos crer que
    a bondade praticada, não é utopia.

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