Carlos Bezerra Jr. é vereador de São Paulo. Está em seu terceiro mandato e é o líder do PSDB na Câmara. Bezerra Jr. é também médico ginecologista e obstetra, e atuou por anos em hospitais públicos da periferia da zona Leste, além de ter prestado atendimento gratuito voltado à saúde da mulher nas áreas mais pobres da capital paulista. De sua experiência na medicina e da vivência nas periferias tirou idéias que se transformaram em importantes leis. Como a que originou o Programa Mãe Paulistana, da Prefeitura, e da lei de combate ao abuso sexual infantil. Bezerra Jr. tem 40 anos, é casado e tem duas filhas. Porém, aqui, em seu blog, a idéia é esquecer um pouco de tudo isso e abrir espaço para o que estiver além das paredes da Câmara, para aquilo que não se vê nos pronunciamentos oficiais e nem mesmo no site do mandato. Opiniões, provocações filmes, músicas, vídeos, enfim...

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Realidade mascarada

Enviador por Carlos Bezerra Jr. em 12/5/2009 as 14:04
Dia desses, lendo nos jornais a cobertura sobre a gripe suína, agora H1N1, a entrevista que posto aqui no blog me chamou atenção. Em tempos que mais fazem lembrar um daqueles clichês da ficção científica, com pedestres usando máscara cirúrgica para se proteger, vale a pena se perguntar se o tamanho do alarde é proporcional ao da crise. A reportagem abaixo, da Folha de S.Paulo do dia 3, domingo, trata um pouco sobre isso, com foco “especial” nos nossos sistemas de saúde. Aliás, vale aqui recuperar uma pergunta perspicaz do jornalista Clóvis Rossi, no artigo “Jack e a gripe suína”, também da Folha, do dia 2: “...quantas pessoas morrem, no mundo, de gripe comum no mesmo período em que morreram as dez vítimas da H1N1?” Para além das discussões acerca da biotecnologia ou do agrocapitalismo, a matéria traz para o debate um dos temas que julgo de maior importância à saúde pública mundial, que é o acesso aos remédios como um direito humano assegurado.***

PLANTÃO MÉDICO
AUTOR DE "O MONSTRO BATE À NOSSA PORTA - A AMEAÇA GLOBAL DA GRIPE AVIÁRIA", MIKE DAVIS DEFENDE QUE MONOPÓLIO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA CONTRIBUI PARA O AVANÇO DAS DOENÇAS EPIDÊMICAS
EUCLIDES SANTOS MENDES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Para o professor de história na Universidade da Califórnia Mike Davis, autor de "O Monstro Bate à Nossa Porta - A Ameaça Global da Gripe Aviária" (ed. Record, trad. Ryta Vinagre, 256 págs., R$ 39), o vírus causador da gripe suína não é "um ato anônimo da natureza".
Em entrevista à Folha, de Tijuana, no México, Davis argumenta que o risco de pandemia aumenta com a deterioração dos serviços de saúde pública, o agrocapitalismo e os mecanismos de controle da indústria farmacêutica mundial.
"À maioria da humanidade falta o acesso aos fármacos antigripais", complementa.
No que se refere ao combate à gripe suína no México, Davis critica os países ricos, que, segundo ele, "têm fracassado totalmente em transferir biotecnologia avançada às linhas de frente da doença".
Para driblar os riscos causados pelo avanço de epidemias, ele defende, na entrevista abaixo, que o acesso aos remédios se torne um direito humano em escala global.

FOLHA - A gripe suína pode ser considerada uma tragédia sanitária e também ambiental?
MIKE DAVIS - Como o epicentro do ataque [do vírus] se localiza em uma vila pobre perto de uma grande propriedade norte-americana de criação de porcos no Estado de Veracruz [no México], torna-se óbvio que isso [a gripe suína] é mais como Bhopal [cidade indiana onde, em 1984, vazamento de gases letais da fábrica de agrotóxicos Union Carbide matou milhares de pessoas] do que algum ato anônimo da natureza.
FOLHA - Os EUA, que são um dos países mais afetados pela gripe suína, estão preparados para situações desse tipo?
DAVIS - Antes de mais nada, à maioria da humanidade falta o acesso aos fármacos antigripais. Muitas nações da OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico] estão construindo linhas "maginot" [de defesa] bacteriológicas -fortalezas biológicas- , mais do que construindo capacidade de resposta ao redor do mundo.
A maioria das linhas de produção de antivirais e de vacinas no mundo está concentrada na Europa Ocidental.
Seis anos atrás, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recusou pedidos da Índia (e possivelmente do Brasil) para permitir a fabricação de genéricos do Tamiflu [medicamento usado contra a gripe suína].
O monopólio sobre patentes de drogas [farmacêuticas] -assim como o interesse lento em desenvolver antivirais, vírus e antibióticos novos- é uma enorme barreira na luta contra doenças emergentes.
Os remédios de salvamento devem ser um direito humano global: a OMS precisa se comprometer com o desenvolvimento de vacinas no mundo. Simultaneamente, os países mais ricos têm fracassado totalmente em transferir biotecnologia avançada às linhas de frente da doença.
A Cidade do México tem uma população de 22 milhões de pessoas e médicos famosos mundialmente. Contudo a análise do vírus dos suínos teve que ser executada em Winnipeg, no Canadá, que tem menos de 3% da população do DF [Distrito Federal, onde está localizada a capital mexicana].
Nos EUA, enquanto isso, há uma desigualdade tremenda numa situação de pandemia.
As imensas reduções na capacidade de atendimento da saúde pública afetam os mais pobres, e as áreas do centro das cidades são mal equipadas para tratar qualquer tipo de demanda de cuidado intensivo. Nova York parece estar bem, mas os hospitais de Los Angeles foram inundados há dez anos por uma versão mais severa da gripe sazonal que ocorre normalmente.
FOLHA - O senhor concorda com as críticas do filósofo Peter Singer, que tem atacado a massificação de rebanhos para consumo por levarem os animais a desenvolver estresse e doenças?
DAVIS - A revolução da indústria de rebanhos ocorrida nos últimos 20 anos tem sido um desastre planetário: desloca milhões de pequenos agricultores e rancheiros, enquanto acelera a evolução de novos e mais perigosos elementos causadores de doenças.

Comentários

Nossa!... a enbtrevsta é super ousada!... A cada vez que surge uma doença nova fico me perguntando da onde isso saiu?? ... e tem coisa estranha aí mesmo!

Enviado por  Fábio Kapusto em 15/5/2009às 13:06


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