Carlos Bezerra Jr. é vereador de São Paulo. Está em seu terceiro mandato e é o líder do PSDB na Câmara. Bezerra Jr. é também médico ginecologista e obstetra, e atuou por anos em hospitais públicos da periferia da zona Leste, além de ter prestado atendimento gratuito voltado à saúde da mulher nas áreas mais pobres da capital paulista. De sua experiência na medicina e da vivência nas periferias tirou idéias que se transformaram em importantes leis. Como a que originou o Programa Mãe Paulistana, da Prefeitura, e da lei de combate ao abuso sexual infantil. Bezerra Jr. tem 40 anos, é casado e tem duas filhas. Porém, aqui, em seu blog, a idéia é esquecer um pouco de tudo isso e abrir espaço para o que estiver além das paredes da Câmara, para aquilo que não se vê nos pronunciamentos oficiais e nem mesmo no site do mandato. Opiniões, provocações filmes, músicas, vídeos, enfim...

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Usina21 - Jovens Idéias e Transformação Social
Instituto Agente

O melhor taxista assembleiano do Quênia

Enviador por Carlos Bezerra Jr. em 26/1/2007 as 10:54
Ainda meio atordoado de sono, saio às 15h com o pessoal de TV do Instituto Valores, em direção ao Kasarani Sports Center, local sede do Fórum Social Mundial 2007, para checar as inscrições, a programação e fazer um “reconhecimento” do local.
Pegamos um táxi com os equipamentos de TV, e um mapa da cidade.
O motorista, agora, chama-se William, queniano de uns 30 e poucos anos, de uma alegria contagiante.
Meu diagnóstico inicial sobre o trânsito me pareceu correto. Ruas estreitas, cheias de carros e “matatus” lotados, e não encontrei, após uma hora dentro do carro, sequer um semáforo ou placa indicativa de trânsito. Você pode não acreditar, mas vi três acidentes de trânsito durante o percurso de 12 km e mais ou menos 1 hora do hotel ao Kasarani Center.
O William cantava ao som de um hino evangélico em inglês que tocava no rádio do carro. “Conheço essa música. Você é evangélico?”, perguntei. “Sou, freqüento a Assembléia de Deus aqui em Nairobi. Eu e toda minha família. Sou casado e tenho 4 filhos.” E logo se apressa em explicar: “Sou cristão, tenho uma só esposa! Aqui no país essa é uma regra dos cristãos apenas.”
“E sua igreja desenvolve algum programa social?”, perguntei. “Claro que sim! Num país como o Quênia, é fundamental que a igreja se envolva com essas questões. Temos um programa de educação para crianças pobres”, ele me respondeu cheio de orgulho.
Toca outra música, agora em kishwahili, eu também conheço, e ele vai cantando, com uma voz linda, super afinado, e com aquela ginga que só os irmãos africanos têm. Nos deixa encantados no carro.
O Rafael, que estava gravando cenas da rua, dos ambulantes, do trânsito, vira a câmera ligada para dentro do carro e grava.Ao desligar a câmera, o William olha pra mim, e diz, emocionado, em meio ao caos do trânsito, àquela imagem de pobreza, de duas crianças cheirando cola numa pracinha ao fundo e de tanto desarranjo humano: “A coisa que mais me alegra nessa vida é louvar ao meu Senhor, tenho esperança de dias melhores, sei que Ele pode fazer isso!”
Meu coração, além de emocionado, se encheu de esperança em meio aquele caos urbano. Chegamos ao local do Fórum Social Mundial. A minha frente, uma faixa anuncia o slogan do FSM: “Um outro mundo é possível.” Após as palavras do taxista William, simples, cheio de fé, o slogan ganhou um sentido ainda mais forte para mim.
É por isso que vim até aqui. Por acreditar num mundo diferente, construído de outra forma.
Confirmamos algumas informações, e percebemos que a estrutura ainda não está completamente montada. O centro esportivo é enorme, com um estádio olímpico, parque aquático, etc.
Encontro Onyango Olo, em meio ao corre-corre final da montagem das barracas do FSM. Ele é o coordenador nacional desta edição do Fórum. É um queniano de 40 e poucos anos, bem articulado, que foi preso político por cinco anos e viveu exilado na Tanzânia e no Canadá por vários anos. É um ativista social, blogueiro e também faz programas de rádio.
Puxo papo e ele é extremamente solícito. “Topa fazer uma entrevista para o programa de TV do Instituto Valores?”, pergunto. “Claro que sim.”
Pergunto sobre o desafio de se fazer um evento como esse na África, a estrutura necessária, o numero de voluntários e participantes internacionais. São mais de 1.000 voluntários, e foram treinados 5.000. O numero de participantes ainda é incerto, talvez 10 mil.
“E qual o principal obstáculo?”, pergunto. “Penso que é psicológico, é fazer os africanos entenderem a dimensão de um Fórum como esse e crerem que podem fazê-lo”, ele responde.
Está anoitecendo. São 18h, encontramos mulheres, no caminho da volta, andando com bebês no colo, no acostamento da pista. São dezenas. No olhar, desalento. Será que elas sabem o que estamos discutindo aqui nesses dias? Duvido.
Tiro uma foto, de um desses olhares. “Me dá uns shilings”, diz a mulher em um inglês arrastado. William me olha, “ela está esperando uns trocados, é assim por aqui”. “Ta bom, compre leite pro seu bebê”, respondi.
Nos despedimos das mulheres e fomos embora. Ainda no caminho, os mesmos matatus abarrotados de gente que paga 40 shilings pra ser transportado, e põe a cabeça pra fora da van pra nos acenar. O táxi custa em média 500 a 1000 shillings!
Terminou o dia, chegamos ao hotel.São 20h. Tudo aqui se encerra às 18h. 22h é quase madrugada!

18 de janeiro, quinta-feira


Li e Gostei

Jesus quer salvar os cristãos
O livro de Rob Bell é uma provocação com endereço certo: a “igreja” preocupada apenas com si própria, com seu crescimento, com mais poder e mais dinheiro. Essa igreja alheia e insensível à realidade que a cerca é confrontada no texto de fácil leitura de Bell. O autor expõe o paradoxo entre a denominação que ergueu um prédio de U$ 20 milhões e o contexto de sua região, onde 1 em cada 5 pessoas vive abaixo da linha de pobreza. O livro traz críticas duras a grupos cristãos dos Estados Unidos e fala da urgência do retorno ao Evangelho e seu compromisso com justiça social. Ainda bem que aqui no Brasil nossas igrejas são “bem diferentes”, né? Ed. Vida – 208 pg.
Os Homens que não amavam as mulheres
do jornalista sueco Stieg Larsson. Boa indicação do Denis Mizne, coordenador do Instituto Sou da Paz, a partir da campanha despretensiosa que promovi no Twitter® (#troqueoBBBporumlivro). Mania na Europa e nos EUA, o livro faz parte da Trilogia Milleniun (mas pode ser comprado separado) e traz uma trama misteriosa que envolve grandes corporações financeiras, denúncias, jornalismo investigativo, desaparecimento de pessoas e muito suspense, que, particularmente, está me deixando magnetizado. Larsson (1954-2004) foi fundador e editor-chefe da revista sueca Expo, que denuncia grupos neofascistas e racistas. Era especialista na identificação da atuação das organizações de extrema direita em seu país. Ed. Cia. Das Letras – 528 pg.

Up/Down

Bíblias em Braille nas bibliotecas de SP
Plano Nacional
de Banda Larga

Vi outro dia

Alice no País das Maravilhas
Fui assistir com minhas duas filhas ao novo filme de Tim Burton,baseado no clássico de Lewis Carroll. Nele, a história se passa nove anos depois da original: a protagonista (Mia Easkowska) já tem 19 anos quando segue o coelho branco e visita novamente o estranho lugar onde já estivera no passado, mas do qual não se lembrava mais. No longa, o encontro dos dois universos, o de Burton e o de Carroll, oferece uma mistura fantástica.A Wonderland do diretor estadunidense é sombria e tem alguns seres aparentemente seres bizarros, mas que, pouco a pouco, se humanizam.
Preciosa
O longa conta a história de Claireece “Precious” Jones, uma garota norte-americana, negra, de dezesseis anos. A vida de Claireece é uma seqüência de desventuras. Da violência sexual que sofreu, praticada por seu pai, aos abusos cometidos por sua mãe, a protagonista cresce em uma vida desprovida de amor. Preciosa tem um filho, portador de Síndrome de Down, e, quando engravida pela segunda vez, é enviada a uma escola alternativa. É a partir desse novo lugar que consegue reelaborar e resignificar um tanto de traumas e sua própria vida. Para mim, o filme lança um olhar especial sobre os excluídos, sobre aqueles que não conseguem competir numa sociedade tão implacável a ponto de violentar suas crianças. O longa dirigido por Lee Daniels é extremamente sensível e tocante - diz muito sobre persistência e determinação.

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