Por que se descontrola Marta Suplicy?
Enviador por Carlos Bezerra Jr. em 20/10/2008 as 19:39
A vinheta da campanha de Marta Suplicy que pergunta se o candidato Gilberto Kassab é casado ou tem filhos entrará para os anais do marketing político como um exemplo de descontrole. A equipe de Marta (e a própria) perdeu o eixo, a exemplo do que aconteceu há um tempo com um certo senador.
É inadmissível para uma mulher que sempre reclamou de preconceito por ser mulher, por ser sexóloga e por ter se separado do marido publicamente agir de forma tão preconceituosa. É um golpe contra a coerência dela mesma.
Apenas o descontrole pode explicar tamanha desfaçatez. Marta admite inclusive não ter controle sobre a própria equipe, dizendo ser a malfadada vinheta obra do seu marqueteiro, João Saldanha. No debate da TV Bandeirantes, no qual Kassab me citou como autor do Programa Mãe Paulistana para corrigir uma afirmação da ex-prefeita, ela já exibia sinais desse mesmo descontrole.
Logo após, ela chegou a dizer que uma empresa, quando contrata um funcionário, pergunta se ele é casado ou se tem filhos. Sim, algumas pedem até exame de HIV para saber se o candidato é soropositivo pedem até exame de HIV para saber se o candidato é soropositivo e de urina para constatar se a candidata está grávida. Ela só se esqueceu de dizer que isso é ilegal e que um candidato não pode ser colocado em segundo por ser solteiro e não ter filhos, ou o contrário, mas tão-somente por sua capacidade técnica.
Por que Marta perdeu o controle? Eu me faço esta pergunta. Afinal, perder e ganhar eleições faz parte da atividade política, e ela sabe muito bem disso. A explicação para o destempero, para mim, reside na raiz da rejeição à ex-prefeita: a arrogância. Os paulistanos que a rejeitam citam esse traço da sua personalidade como preponderante.
Ao apelar, Marta mostra que é, para si, inadmissível perder para Kassab, um político inferior em sua opinião. “São Paulo quer mais”, diz o marqueteiro petista. Uma Smith de Vasconcelos perder para um homem “sem história”, como ela mesmo diz, é um golpe muito duro para alguém que se arvora no direito de gritar contra jornalistas que a questionam, como o fez contra Chico Pinheiro da TV Globo. E quanto mais ela esperneia, mais aumenta a rejeição a ela, porque é nesses “pitis” que ela revela o perfil mais rejeitado pelos moradores de São Paulo. A cidade do trabalho quer o batalhador incansável chamado Kassab e não uma madame de família quatrocentona que estudou no “Des Oiseaux”.
Volta, Marta. Volta para casa.