Carlos Bezerra Jr. é vereador de São Paulo. Está em seu terceiro mandato e é o líder do PSDB na Câmara. Bezerra Jr. é também médico ginecologista e obstetra, e atuou por anos em hospitais públicos da periferia da zona Leste, além de ter prestado atendimento gratuito voltado à saúde da mulher nas áreas mais pobres da capital paulista. De sua experiência na medicina e da vivência nas periferias tirou idéias que se transformaram em importantes leis. Como a que originou o Programa Mãe Paulistana, da Prefeitura, e da lei de combate ao abuso sexual infantil. Bezerra Jr. tem 40 anos, é casado e tem duas filhas. Porém, aqui, em seu blog, a idéia é esquecer um pouco de tudo isso e abrir espaço para o que estiver além das paredes da Câmara, para aquilo que não se vê nos pronunciamentos oficiais e nem mesmo no site do mandato. Opiniões, provocações filmes, músicas, vídeos, enfim...

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Bananas e laranjas na política do Quênia

Enviador por Carlos Bezerra Jr. em 2/1/2007 as 09:49
O dia é de entrevistar o Sr. Peter Omolo, deputy clerk, uma espécie de diretor geral do Parlamento Nacional do Quênia. A entrevista e a visita duram cerca de uma hora e meia. Falamos sobre política queniana, sobre a estrutura do parlamento, democracia, partidos etc.
Descubro várias curiosidades do universo político daqui. A saber:
1.Os dois principais partidos são representados pela banana e pela laranja. Ou seja: a política queniana é disputada entre os bananas e os laranjas! Fiquei imaginando essa mesma situação no Brasil e foi inevitável pensar num slogan eleitoral: “Chega de votar em bananas, agora é hora de colocarmos os laranjas no poder!” Ou o contrário...
2.Segundo Omolo, são 60 partidos, sendo os principais, o National Rinbow Coalition, e o Kenya National African Union, sendo ao todo 224 deputados e o speaker, que é o presidente da sessão. Os partidos têm forte identificação tribal também.O que está no poder se identifica com os Kikuyus, maioria étnica. O de oposição se identifica com os Luos, que é a etnia do senador democrata norte americano Barak Obama, pré-candidato à presidência dos Estados Unidos. As tribos são rivais entre si.
3.As sessões ocorrem terças, quartas e quintas-feiras, e o salário dos parlamentares é de aproximadamente 200 mil shillings mensais (cerca de US$ 3 mil).
4.Perguntei sobre a discussão do momento no Parlamento, que está em recesso e ele me respondeu que o tema são as eleições deste ano.
5.O plenário é interessantíssimo. A entrada tem uns mosaicos lindos, coloridos, com símbolos de paz e de povos de todo o Quênia. Pelo formato da porta, você jura que está entrando numa mesquita, mas, ao entrar, surpreendentemente, encontrará uma espécie de imitação do parlamento inglês, com uma mesa no centro e bancos de madeira de lei dispostos de forma retangular ao redor da mesa, que tem sobre ela uma urna de madeira onde os deputados depositam seus votos escritos à mão, um a um. Quem comanda a sessão é o speaker, que se senta em um lugar de destaque e é o único a ter microfone. No alto, há espaços para representações diplomáticas de vários países (que vão à sessão uma vez ao ano), e galerias para a imprensa e a população.As sessões são abertas.
6.O parlamento queniano foi fundado em 1907 e até 1947 nenhum negro fez parte do dele. Em 1957, eram apenas oito. Em 1963, veio a independência.
7.Omolo não quis nem aparecer nas fotos e morria de medo de falar qualquer coisa além do figurino oficial. Não me deixou tirar fotos do parlamento mas fiz um vídeo apócrifo (não sei se posso mostrar!). A conversa foi chata, mas a visita valeu a pena, afinal, deu pra entender um pouco a dinâmica política do país. O deputado estava mais para leão de chácara de baile funk do Rio que pra relações públicas.
8.O voto não é obrigatório e um terço apenas da população vota.
9.A democracia está engatinhando, mas o atual presidente é um democrata, o que é um avanço enorme, olhando para a história do país, onde ocorrem eleições livres, a oposição é forte e a imprensa também tem liberdade. Isso é unanimidade entre todas as pessoas com quem falei por aqui.

20 de janeiro, sábado


Li e Gostei

Jesus quer salvar os cristãos
O livro de Rob Bell é uma provocação com endereço certo: a “igreja” preocupada apenas com si própria, com seu crescimento, com mais poder e mais dinheiro. Essa igreja alheia e insensível à realidade que a cerca é confrontada no texto de fácil leitura de Bell. O autor expõe o paradoxo entre a denominação que ergueu um prédio de U$ 20 milhões e o contexto de sua região, onde 1 em cada 5 pessoas vive abaixo da linha de pobreza. O livro traz críticas duras a grupos cristãos dos Estados Unidos e fala da urgência do retorno ao Evangelho e seu compromisso com justiça social. Ainda bem que aqui no Brasil nossas igrejas são “bem diferentes”, né? Ed. Vida – 208 pg.
Os Homens que não amavam as mulheres
do jornalista sueco Stieg Larsson. Boa indicação do Denis Mizne, coordenador do Instituto Sou da Paz, a partir da campanha despretensiosa que promovi no Twitter® (#troqueoBBBporumlivro). Mania na Europa e nos EUA, o livro faz parte da Trilogia Milleniun (mas pode ser comprado separado) e traz uma trama misteriosa que envolve grandes corporações financeiras, denúncias, jornalismo investigativo, desaparecimento de pessoas e muito suspense, que, particularmente, está me deixando magnetizado. Larsson (1954-2004) foi fundador e editor-chefe da revista sueca Expo, que denuncia grupos neofascistas e racistas. Era especialista na identificação da atuação das organizações de extrema direita em seu país. Ed. Cia. Das Letras – 528 pg.

Up/Down

Bíblias em Braille nas bibliotecas de SP
Plano Nacional
de Banda Larga

Vi outro dia

Alice no País das Maravilhas
Fui assistir com minhas duas filhas ao novo filme de Tim Burton,baseado no clássico de Lewis Carroll. Nele, a história se passa nove anos depois da original: a protagonista (Mia Easkowska) já tem 19 anos quando segue o coelho branco e visita novamente o estranho lugar onde já estivera no passado, mas do qual não se lembrava mais. No longa, o encontro dos dois universos, o de Burton e o de Carroll, oferece uma mistura fantástica.A Wonderland do diretor estadunidense é sombria e tem alguns seres aparentemente seres bizarros, mas que, pouco a pouco, se humanizam.
Preciosa
O longa conta a história de Claireece “Precious” Jones, uma garota norte-americana, negra, de dezesseis anos. A vida de Claireece é uma seqüência de desventuras. Da violência sexual que sofreu, praticada por seu pai, aos abusos cometidos por sua mãe, a protagonista cresce em uma vida desprovida de amor. Preciosa tem um filho, portador de Síndrome de Down, e, quando engravida pela segunda vez, é enviada a uma escola alternativa. É a partir desse novo lugar que consegue reelaborar e resignificar um tanto de traumas e sua própria vida. Para mim, o filme lança um olhar especial sobre os excluídos, sobre aqueles que não conseguem competir numa sociedade tão implacável a ponto de violentar suas crianças. O longa dirigido por Lee Daniels é extremamente sensível e tocante - diz muito sobre persistência e determinação.

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